quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Tudo na vida é vibração - Bárbara Alves

Introdução

Tudo na vida é vibração: cor, matéria, partículas de energia, até o amor.
É reconhecido por todos que a palavra falada possui um poder relativamente profundo na mente das pessoas, tanto positiva quanto negativamente
. Quanto mais pronunciamos determinada palavra e pensamos nela, tanto mais energética, coesa e nítida é a sua representação idiomática e vibração psicofísica.

As palavras através do psiquismo humano desencadeiam alterações físicas, como modificações
 nas correntes sanguínea e linfática, e nos sistemas endócrino e nervoso. Os mantras são tecnicamente estudados no Tantra Shastra (escrituras védicas actuais).

A palavra mantra em Sânscrito, consiste na raiz man- pensamento (e também na palavra manas – mente) e –tra significa instrumento/ferramenta, em que a tradução à letra é “instrumento da mente”.

Origem dos Mantras

A Mantraterapia nasceu na religião Védica em que as origens de muitos mantras, nomes sagrados, termos cabalísticos etc., remontam a épocas arcaicas, sendo usados por sábios da Índia e Tibete, para diversos fins: curativos, mágicos, ritualísticos, conscienciosos e espirituais.

A palavra mantra aparece primeiramente nas escrituras sagradas que constituem a base de todas as filosofias e religiões hindus – os Vedas, no mais amplo e mais antigo de todos, chamado Rig Veda (Rig vem de cantar, celebrar), que é composto de cantos métricos divididos em dez partes denominadas Mandalas. Por esta razão, muitos
 traduzem a palavra mantra do sânscrito
, como significado "hino" ou "discurso cantado". Segundo outra versão, milhares de anos atrás, os sábios e os yoguis meditavam nas cavernas onde reinava o silêncio absoluto. Concentraram as suas mentes nos sons, fundindo o som, o corpo físico e a mente focalizando sempre os centros de energia vital (chacras). Estes sábios ouviram 50 diferentes vibrações dos sete chacras e traduziram-nas através das cordas vocais em 50 letras, dando origem ao alfabeto do idioma sânscrito. Em seguida, através de inúmeras combinações dessas letras, foram criados os mantras. (fonte : “Segredos dos Mantras” – Meeta Ravindra)

Os mantras foram concebidos no Hinduísmo, porém são utilizados também no Budismo.
Os mantras revelam na sua enunciação discip
linada e no seu ritmo ascendente, o carácter, a força, a sublimidade e a ternura espiritual de um povo; por essa razão é que os mantras de um povo para outro revelam matizes diferentes, criados pelo timbre ou energia mental de cada sociedade.


Mantras

O uso destas palavras de poder implica uma estrutura específica de padrões sonoros, codificado
s em sílabas e vogais. Como os mantras funcionam ou simbolizam difere consoante a corrente filosófica, e depende do contexto em que foi escrito. Há circunstâncias em que existem múltiplos simbolismos associados a cada som, muitos dos quais específicos a uma escola ou linha de pensamento.

Acredita-se que as palavras mantralizadas vibram primeiramente na alma, ressoando nos chacras, nos meridianos e sobre os estados de consciência.

Os mantras não se restringem a utilizar com precisão e ordem os conceitos intelectuais que se quer transmitir, por trás da pronúncia de um som encontra-se um poder, uma energia, uma força espiritual, capaz de ser posta em prática não só no operador, mas no ambiente ao seu redor. Pode ser uma palavra, um verso,… as suas letras e sílabas são de articulação harmoniosa e quando pronunciadas num ritmo ou sonoridade peculiar, e sob forte concentração mental, elas vibram pelo organismo despertando determ
inada energia. Todas essas combinações de sílabas ou palavras através da repetição rítmica e contínua originam vibrações.

O mantra não deve, apenas, ser tocado ou cantado; precisa ser acompanhado por um pensamento, de acordo com a combinação de sons; precisa ser vivido; embora alguns entendidos considerem o significado irrelevante. Essas vibrações possuem um poder de acção no corp
o etéreo e astral do homem, pois aceleram, harmonizam e ampliam as funções dos chackras, sintonizando o pensamento com o sistema nervoso.

Mediante a recitação constante do mantra (chamado de Japa), atinge-se o Mantrasiddhi (perfeição). Nesta unidade o sádhaka (devoto) torna-se um mantrasiddha.

Para cada mantra existe um rishi (criador) e um Deus (entidade). Cada entidade tem vários aspectos, por ex.: Shiva e Vishnu têm 1000 nomes diferentes representando cada aspecto. Shiva tem conotação básica de destruição e transmutação. A destruição se torna necessária nos vários casos, desde o plano físico até no mais elevado plano espiritual, desde afastar a morte ou doenças, até a destruição de certas emoções, que são obstáculos na evolução espiritual, nestes casos ele passa a ser Rudra ou Shankar. O Vishnu tem conotação de bem-estar e felicidade, mas ele manifestou-se como Rama e Krishna, para aniquilar o Ravana e Kouravas que eram representantes do mal. Assim, mesmo as outras entidades como Durga, Ganesh, Mahakali, Shakti também têm 1000 aspectos e tantos mantras. Principalmente 40 aspectos de cada entidade são mais adorados.
Acredita-se que existe um mantra para todos os estados e todas as doenças e melhor ainda, para todos os problemas, de qualquer natureza.

Palavras como Amor, Paz, Perdão, Esperança, Bondade, embora sejam vocábulos comuns e de uso no mundo profano, possuem sentido para servirem como verdadeiros mantras, desde que sejam pronunciadas dentro do ritmo sonoro e da disciplina que lhe é própria; são de vibração sublime e acumulam forças criadoras.

A palavra "Buda" é um poderoso mantra de evocação esotérica e o nome "Krishna" significa o mesmo na Índia. O vocábulo "Cristo" representa a mais alta expressão mantrânica, para o homem ocidental despertar no seu espírito as virtudes do A
mor, da Renúncia, Bondade e Pureza.

Os mantras operam de muitas maneiras, por exemplo: certas formas de palavras trazem consigo ideias definidas mudando completamente a corrente do nosso pensamento ou sentimento, como é o caso do hino nacional, cânticos de Natal, gritos de guerra, … Todos os mantras que dependem do poder do som, são valiosos apenas na língua em que foram dispostos, ao traduzirmos teremos outro mantra, por ter um grupo diferente de sons.
A ligação com mantras deve ser somente com os de natureza benéfica, agradável e que conduzam ao bem-estar uma vez que muitas pessoas não se sentem à vontade para entoá-los. Todos eles visam produzir vibrações nos corpos subtis, tanto do recitador como daqueles a quem se dirige o mantra.

Tudo o que fazemos por meio de um mantra, poderíamos fazer por nossa própria vontade sem ele, mas o mantra estabelece as vibrações requeridas, fazendo parte do trabalho por nós e em consequência facilitando-o. Segundo Ramatis, "o que dá força à palavra transformada em mantra, além de sua significação superior ou consagração sublime, é a vontade, a ternura, a vibração pessoal e o amor de quem recita, em fusão com a vibração individual do próprio Espírito Cósmico. O recitativo mantrânico, disciplinado pelas leis de magia do mundo oculto, transborda de poder e força no campo mental, astral e etérico do homem".

É comum admitir que os efeitos de um mantra são reforçados com a repetição do mesmo: a entoação sem fim da fórmula aumenta o efeito de seus benefícios. A constante repetição, sobretudo quando combinada com os Pranayamas (técnica
s respiratórias), contribui para suscitar um estado de transe. Na Índia conta-se que quem repete duzentas mil vezes poderá dominar todos os fenómenos naturais e com um milhão de vezes, conseguirá a faculdade de viaja
r através de todos o universo.

Para os mestres hindus do Yoga, os mantras só podiam ser aprendidos com um instrutor habilitado no seu uso, alguém que soubesse julgar muito bem quais os sons que o aluno necessita de produzir.

Prática dos Mantras

A prática do mantras é o meio de ampliar a consciência a fim de restabelecer o sincronismo entre o microcosmo e o macrocosmo. Como uma perdida gota d'água que se encontra com o oceano e adquire o potencial e o poder do oceano, o ser humano se funde ao omnipotente e torna-se também omnipotente.

Como Emitir Um Mantra ??Um mantra pode ser emitido de diversas formas:
Þ Através de KIRTANS: vocalizações devocionais de forma extrovertida. É uma maneira celebrativa de entoação que pode envolver a dança.
Þ Através de JAPA: repetição contínua e ininterrupta de um mantra. Neste caso, sem melodia. A
 finalidade é induzir a parada do pensamento, sendo assim de efeito introspectivo. Essa prática é feita com um de rosário geralmente feito de grãos secos de 108 contas, conhecido como JAPA MALA.
Þ Através de MANAS: a mentalização de um mantra. Este meio é mais eficiente que a vocalização, por não ser audível.

Mantra JapaÉ feito em estado de recolhimento e meditação, absorção no mantra para, no final, ser absorvido na Divindade. Como já foi referido, é a técnica de empenhar e concentrar a mente totalmente na repetição do mantra. Os mantras podem ser cantados em qualquer situação mas para receber a energia deles na sua forma e projecção mais pura possível, deve-se obedecer uma certa disciplina em relação ao local, maneira, comportamento, alimentação etc.

Depois da escolha vem o SANKALP, a decisão de praticar o mantra. Também deve-se decidir quantas vezes e com qual frequência o mantra vai ser recitado. A hora de começo da prática deve obedecer certas regras astrológicas para evitar as posições planetárias desfavoráveis, particularmente sol e lua em certas constelações e principalmente deve ser considerado 
o seguinte:

1. Mas - Mês
2. Paksha - Fase da lua
3. Tithi - Posição da lua em relação ao sol
4. Var - Dia da semana
5. Constelação - Posição da lua nas constelações
6. Lagna - Ascendente

A pronúncia
É muito importante a pronúncia correcta. Se se ch
amar o Carlos de Cláudio ele nunca lhe atenderá. Nos mantras, o poder consiste em vibração sonora por isso a pronúncia é de extrema importância. Muitos mantras não mostram resultados porque não são pronunciados correctamente, porque num mantra, o mais importante é a vibração sonora.
O local
Deve ser um local calmo, sem barulho, dentro de um templo, à beira de um rio ou mar, em cima da montanha ou uma caverna. Estes são os locais mais indicados mas em casa, um quarto decorado adequadamente com um pequeno altar com as imagens dos deuses, serve ao propósito. É recomendável o uso de incenso para purificar o ambiente.

AssentoDeve-se evitar o contacto directo com a terra sentando-se em cima de uma pedra, de um tapete de madeira ou de bambu. Os mais indicados são os de pele de animal, especialmente veado e tigre, lã natural, seda amarela ou branca. O tapete de algodão é especialmente indicado para mantras de atracção.
Þ Deve-se comer o mínimo possível e deve-se evitar a prática logo após das refeições.

Postura
Chamada também de Ásana, Guptásan ou Samasan. Deve-se sentar com as pernas cruzadas, colocando a planta do pé esquerdo na região púbica, encostando o calcanhar no chão. Coloque o pé direito sobre a perna esquerda de maneira que os calcanhares fiquem alinhados. Os braços devem ficar estendidos, a espinha dorsal deve ficar direita para deixar fluir a energia do prana livremente. A ponta do dedo indicador encosta-se no p
olegar e os demais ficam estendidos.


Finalidades dos Mantras

• Elevar o nível de consciência;• Desenvolver a espiritualidade;• Despertar poderes psíquicos;• Invocar protecção; • Tranquilizar a mente;• Facilitar a concentração.
Ø O propósito maior da Mantraterapia é ser um instrumento de aprofundamento e expansão da consciência.

Tipos de Mantras
Quanto ao número de letras:Bij Mantra - conhecido também como mantra semente. Tem uma a dez letras.
Ex.: OM, YAM, LAM, VAM, RAMMantra - possui de dez a vinte letras.
Ex.: OM NAMO HARI MARKAT MARKATAYA SWAHA Mala Mantra - é o que possui mais de vinte letras.
Ex.: OM TRAYAMBAKYAM YAJAMAHE SUGANDHIM PUSHTIVARDHANAM URVARUKMIVA BANDHANAM MRITYORMUXIYA MAMRITAT


Quanto ao género os mantras que terminam com:
ASHAT ou FAT são masculinos;
VOUSHAT OU SWÁHÁ são femininos;NAMAH são neutros.
Em geral os mantras masculinos são usados para ampliar a consciência, estabelecer a paz e harmonia, atrair as pessoas; os femininos para adoração, resolução de problemas familiares e mundanos e os neutros para protecção, vingança, etc. Mas esta é uma regra geral que muda conforme a entidade e o propósito em questão.

Quanto aos Pranavas:
Om é recomendado para adorações de Vishnu, HRIM para Shiva e para deuses como o Sol, Indra, etc.; KLIM para Shakti e SHRIM para Laxmi e Ganesh.
Salvo casos especiais, não deve ser colocado dois NAMAH ou SWÁHÁ num mantra, mas pode ser colocado mais do que um pranava.
Quanto ao temperamento, conforme a ocorrência de maioridade das sílabas os mantras são divididos em três categorias:
Quente: a, á, i, í, e, é, ka, cha, ta, pa, ya, sha, kha, tha, fa ra etc.
Frio: u, ú, ga, ja, da, ba, la, ri, ó, dha, gha, bha, va, ma etc.
Morno: lri, xa, ang, yan, na, ana, ma, sh, sa, ha etc.
Deve-se praticar o mantra quente quando está funcionando o surya nadi (respiração através da narina direita), no chandra nadi (narina esquerda) o mantra frio e na Sushumna nadi (as duas narinas) o mantra morno.

Mantras genéricos e pessoais:
O mantra pessoal serve exclusivamente à pessoa 
para quem foi indicado e para o propós
ito específico dele. As imagens dos deuses que nós vemos nos templos geralmente são feitas de pedra, somente depois da consagração é que essas pedras moldadas, passam a ter os poderes da entidade. Assim também, um mantra não passa de um simples conjunto de palavras ou um Yantra; começam a ter poderes somente após a consagração. Os mantras pessoais necessitam de consagração que pode ser feita pela própria pessoa ou por um especialista no assunto. A escolha de um mantra próprio e pessoal envolve vários factores como disposição psíquica e astrológica da pessoa, que é feita através de sinergia entre o mantra e a pessoa. Somente um mantra correctamente escolhido pode proporcionar o efeito desejado.
Existem diversos mantras de cada entidade como Ganesh, Shiva, Laxmi, etc.
Um mantra colectivo ou genérico como GÁYATRI, MAHÁ MRATYUNJAYA, OM NAMAH SHIVÁYA já são consagrados e estão prontos para praticar.

AUM – OM
Há mantras universais, cujos sons e vibrações identificam a mesma ideia em toda a face do planeta. É o caso do vocábulo "Aum", que se pronuncia mais propriamente "OM", pois é o mantra mais poderoso, em qualquer lugar. No seu ritmo iniciático, é a representação universal da própria ideia de Deus, a Unidade, o Absoluto. Essa palavra sagrada hindu corresponde à egípcia "Amén".O principal de todos os mantras, afirmam os Vedas, é o som primordial, é o próprio Brahman, ou seja; o murmúrio do universo.


Este mantra tem diferentes formas de recitação e prática. O seu som é semi-preso, e considera-se que nele estão incluídas as 46 letras do alfabeto sânscrito; por isso, contém o nome de todas as formas do universo. Om, que se transforma em AUM, (a criação, a conservação e a destruição do oposto à luz) através da sua repetição continua, pode ser realizado com a inspiração e, após, com a expiração, até que toda a mente a alma e o próprio espírito estejam carregados pelas vibrações da sagrada sílaba pulsando em sua essência. Há
 diversas maneiras de proferi-la, que produzem resultados diferentes, de acordo com as notas em que as sílabas são cantadas e o modo como são pronunciadas.

O efeito desta palavra, quando pronunciada adequadamente no começo da meditação ou de uma reunião, assemelha-se sempre a uma chamada de atenção. Este som dispõe as partículas dos corpos subtis, de maneira muito semelhante à actuação de uma corrente eléctrica sobre os átomos de uma barra de ferro, antes da passagem da corrente, os átomos do metal estão apontando em várias direcções, mas quando a barra é magnetizada pela electricidade, esses mesmo átomos viram e inclinam-se numa única direcção. Do mesmo modo, ao som da palavra sagrada, cada partícula em nós responde, e então achamos que estamos na melhor condição para sermos beneficiados pela meditação ou estudo que se segue.
AUM é o Princípio e o Fim de todas as coisas, é Cósmico, Galáctico, Solar e Planetário. É o que dá origem a todos os sons e, consequentemente, a todas as músicas.
"A" = Nirman (criação do universo), Rigveda, Brahma, a terra,
"U" = Sthiti (preservação do universo), Yajurveda, Vishnu, espaço,
"M" = Pralaya (transmutação do universo), Samveda, Shiva, paraíso.
Primeiramente devemos aprender a emitir o som de OM. Deitado ou sentado, com os lábios entreabertos, depois de uma inalação profunda, faz-se a exalação do ar, o qual ao sair, faz vibrar as cordas vocais num “OOOOOO...” prolongado. O som deve ser o mais grave e uniforme possível. Se o emitirmos correctamente com a mão sobre o peito, notaremos a vibração que é produzida nesta área. Da metade em diante da exalação, vai se fechando a boca, expulsando o ar e contraindo os músculos abdominais emitindo um “MMM...” prolongado e nasalado, apoiando a mão sobre o crânio, nota-se também a vibração que aí se produz.
Efeitos do som OM

Efeitos vibratórios: O “O” faz vibrar toda a caixa torácica, esta vibração é transmitida para a massa de ar encerrada nos pulmões, para a delicada membrana dos alvéolos, que ao vibrar estimula as células pulmonares permitindo um melhor intercâmbio gasoso.

Esta vibração exerce também, um notável efeito sobre as glândulas endócrinas (hipófise, pineal, tireóide, supra-renais, gónadas). As vibrações do mantra “OM” chegam aos tecidos mais profundos e ás células nervosas, intensificando a circulação nestes locais. Até mesmo o sistema nervoso simpático e o nervo vago recebem a benéfica
 influência destas vibrações. Como consequência desta vibração, ondas electromagnéticas são produzidas propagando-se por todo o corpo, aumentando o dinamismo e a vontade de viver e finalmente desenvolvendo a capacidade de concentração.

Efeitos sobre o aparelho respiratório:
Respiração lenta: a emissão de “OM” torna mais lenta a exalação, o que revitaliza o coração, a musculatura de todo o aparelho fortifica.
Respiração regulada: quando o som é uniforme a respiração torna-se contínua, sem sacudidelas.
Respiração completa: expulsa todo o ar residual dos pulmões, como consequência a inalação torna-se mais profunda.
Controle e relaxamento: para que o som seja uniforme, é imprescindível o relaxamento dos músculos respiratórios durante a exalação.
Efeitos mentais: quase imediata prevalência de ondas do tipo Alfa no cérebro, as quais induzem calma, paz e relaxamento de tensões em geral. Activa a secreção de substâncias como a seretonina e endorfinas, que incrementam ou estabelecem a sensação de satisfação existencial de forma continuada. Estimula e exercita a actividade equilibrada dos dois hemisférios cerebrais. Notável aumento da capacidade de concentração e memória. Induz à estabilidade emocional.

O OM pode ser emitido de forma audível somente na exalação, podendo ser entoado mentalmente durante a inalação, intensificando a paz mental.
Durante o dia a dia, repetindo com frequência o mantra OM mentalmente, pode notar-se serenidade e paz mental que tal prática pode proporcionar, elementos imprescindíveis para a meditação, a felicidade e a saúde.

Alguns mantras e respectivos efeitos

SHRIM
SH  Mahalaxmi
RA     Riquezas
Í    Satisfação
M    Felicidade.
Que a deusa das riquezas Mahalaxmi me proporcione satisfação e felicidade.

HROM
HR  Shiva
O  Abençoar
U  Felicidade divina

DÚM
D  Durgá
Ú  Proteger
M  Dar

KLÍM
KA  Kám(desejos sensuais)
LA  Indra
Í  Satisfação
M  Dar

GLOM
GA  Ganesh
LA  Amplitude
O  Brilho
M  Felicidade divina

STRÍM
SA   Durgá (aspecto feminino)
TA   Livrar
RA   Nirvana
Í       Máyá
M     Felicidade divina


GAYATRI
O Gayatri Mantra, também conhecido por "Guru Mantra" e "Savitri Mantra", é tido como um dos mais poderosos mantras. Este é o mais glorificado mantra dos vedas, o qual é direccionado ao omnipotente que propiciou a vida no universo simbolizado por "SAVITRI" – sol.
Conforme os vedas o Brahmá (o criador do universo) recebeu este mantra da divindade suprema e meditando sobre o mesmo ele teve o poder para criar o universo. Este mantra é uma prece a Deus para nos conferir todos os poderes e talentos, trazendo em si a essência dos quatro Vedas (Atharva, Sama, Rig e Ayur). Diz-se que é o mantra mais entoado em todo o mundo. A palavra Gayatri é uma combinação de palavras sânscritas e existem algumas controvérsias quanto à sua derivação.
Gayatri é um dos aspectos da deusa Saraswati, esposa de Brahma e que representa o seu poder criativo ou shakti. Saraswati é mitologicamente representada como a protectora e inspiradora das artes, música, literatura e ciência.
A palavra Gayatri é composta de duas palavras: Gaya - florescer, abundar, energizar, vitalizar e Trâyate - o que protege, o que concede a libertação.
A estrutura do mantra é de 3 linhas com 8 sílabas em cada uma, fazendo um total de 24 sílabas. Cada sílaba estimula os impulsos de criação dentro do Ser.

Vamos ás 24 sílabas e ao seu significado:1)Tat: Sabedoria Profunda (Brahma Jñana)2)Sa: Bom uso da energia3)Vi: Bom uso da riqueza4)Tu: Coragem durante períodos ruins / acidentes5)Va:A grandiosidade do convívio amigável com as mulheres6)Re:A grandiosidade da esposa, que concede toda a fortuna à família7)Nyam: Adoração e respeito à Natureza8)Bhar: Controle Mental constante e firme9)Go: Cooperação e Paciência10)De: Todos os sentidos sob controle11)Va: Vida Pura12)Sya: Unidade do homem com Deus13)Dhee: Sucesso em todas as esferas14)Ma: Justiça Divina e Disciplina15)Hi: Conhecimento16)Dhi: Vida e morte17)Yo: Seguir o caminho da retidão18)Yo: Manutenção da Vida19)Nah: Cautela e Segurança20)Pra: Conhecimento das coisas que estão por vir e Doação para o bem21)Cho: Leitura das escrituras sagradas e Associação com os sábios22)Da: Auto Realização e Bem Aventurança23)Ya24)At: Disciplinas da vida e cooperação

Segundo os Vedas, "O Gayatri protege quem o recita".
Ele deve ser cantado todos os dias, de preferência de Manhã, de Tarde e de Noite.


OM MANI PADME HUM
O mantra mais conhecido do buddhismo tibetano é Om Mani Padme Hum (os tibetanos pronunciam Om Mani Peme Hum), associado ao bodhisattva da compaixão - Avalokiteshvara. Neste mantra, a sílaba Om representa a presença física de todos os buddhas. A palavra Mani, que em sânscrito significa jóia, simboliza a jóia da compaixão de Avalokiteshvara, capaz de realizar todos os desejos. A palavra Padme significa lótus, a bela flor que nasce no lodo; do mesmo modo, devemos superar o lodo das negatividades e desabrochar as qualidades positivas. A sílaba Hum, representando a mente iluminada, encerra o mantra.

OM MANI PADME HUM (mantra para harmonizar os chacras e iluminação)

OM AIM HRIM SRIM KLIM SOU HU OM (mantra chacra coroa)

OM KRIM NAMAHA (mantra chacra olho)

OM SO HU NAMAHA (mantra chacra garganta)

OM AIM HRIM KLIM CHAMUNDAYE VICHE (mantra chacra coração)

OM SRIM NAMAHA (mantra chacra plexo)

OM HRIM NAMAHA (mantra chacra alma)

OM AIM NAMAHA (mantra chacra base)

OM AH HUM (Purifica o corpo e activa os chacras)

UM TARE TUTTARE TURE MAMA SARVA RANDZA DUSHEN DRODA
(Ajuda a superar problemas de saúde e auxilia no tratamento de doenças graves)
OM TARE TUTARE TURE SARVA DZARA SARVA DHUKKA BRASHA MANAYA PEH SOHA
(mantra que cura as enfermidades)

AOM TAT SAT TAM PAM PAZ
(mantra que traz a força curativa do Sol - mantra do Arcanjo Miguel)

IN EN (Invoca as forças curativas do Espírito Santo)

ADONAI (mantra curativo da Lua)

GU RU (mantra que cura o fígado)

BHUR (mantra que cura o Baço)

KRIM (cura o estômago, congestões, úlceras...)

EFTAH (cura as cordas vocais e tiróide)

OMNIS BAUN IGNEOS (mantra dos médicos Maias)



Conclusão

Entoar mantras é uma prática muito difundida entre os hindus, tibetanos e outros povos do oriente, desde antes da era cristã.
A Mantraterapia serve para tranquilizar, despertar e melhorar o organismo, quanto ao aspecto físico, mental e emocional. Cada um dos principais centros de energia do nosso corpo pode ser reequilibrado através da entoação de mantras específicos para cada chacra.

“Ao estarmos afastados das fontes tradicionais de conhecimento, a compreensão errónea facilmente surge, tal como a crença de que os mantras são palavras mágicas ou que a sua acção é governada pela vibração física. Não devemos tratar com escárnio essas crenças populares (…) existem provas mais do que suficientes que alguns dos efeitos externos atribuídos aos mantras realmente ocorrem.”
John Blofeld


Referências Bibliográficas

Þ www.rudraksham.com

Þ www.dharmanet.com

Þ www.magnifica.com.br

Þ www.gita.ddns.com.br

Þ www.todos-os-sentidos.com

Þ http://kaalpurush.tripod.com

Þ Ravindra, Meeta. O segredo dos mantras - Uma ciência do Som

Þ Blofeld, John. Mantras, Palavras Sagradas de Poder

Þ Acharya, Pandit Shriram Sharma. Eternity of sound and the science of mantras

Þ Tirtha, Swami Sada Shiva. The Ayurveda Encyclopedia

Þ Sarasvati, Suami Hamsananda. Benefícios da prática do manta OM

1 comentário:

  1. Adorei o blog, está muito bem escrito e é muito informativo.Gostaria de saber se têm cursos para aprender Meditação

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